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AMOR?


vomitado por Christian Palmer



Ah!! e o amor?

Acho que o amor reside em um conjunto de acasos e num tanto de coincidências. É quase como ganhar na loteria, só que ao invés de termos de acertar os 6 números da mega sena, precisamos estar lá quando o conjunto de acasos e coincidências acontecerem, do contrário não veremos os planetas se alinharem, e ai puuumm!!! não encontraremos o amor.

O amor, então, é quase impossível, afinal, quase ninguém acerta os 6 números da mega-sena. Se fosse um filme, seria um daqueles com finais tristes, pois não bastasse ter que ser sortudo o suficiente pra estar no local certo e na hora certa, ainda temos que lidar com o fim do amor, porque como tudo que tem começo, também tem fim. E ao final nos resta o choro e a tristeza.

E pra onde o amor vai quando o amor acaba? Talvez eu tenha me expressado errado, não acredito que o amor acabe, acredito que, na real, o amor se transfira. O amor é um ser alienígena que para existir precisa entrar em alguém e viver em simbiose, sugando até não restar mais nada, dai se transfere para outra pessoa. Nos obrigando a buscá-lo novamente. Uma nova, cansativa e estressante busca. E mesmo que nós não queiramos mais experimentar este ópio que é o amor, estaremos fadados a buscá-lo, sempre, pois quando menos esperamos, pow, lá está o novo amor da nossa vida. E o ciclo se repete (in)felizmente.

Chega até a ser estranho colocarem o amor no patamar de sentimento bom, como pode algo que ao fim nos dará tristeza ser algo bom. Não há nada mais antagônico que o amor, nos dá razão para viver, ao passo que lentamente nos mata. Um bocado de felicidade transvestido de tristeza. Como diria o poeta: amor é uma monstruosidade, um delírio. Dá fome: ama-me ou devoro-te. É violência, queria que você soubesse que é extremamente violento você existir, AMOR!


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Um conto de pós-horror




Vomitado por Christian Palmer e Dayse Leone


Era um domingo, o tempo estava fechado, tinha acordado cedo pra a viagem, estava cansada e o clima me deixara com frio. Não consigo ter certeza se era o clima daquele domingo nublado ou se era o clima do sítio que meu pai acabara de comprar, e onde faria uma festa para nossos familiares.

Tinha pouco menos de 12 anos, ou um pouco mais. A essa altura já não consigo precisar a idade ao certo. Mas lembro que quase todos nossos familiares estavam presentes. Eles eram muitos, viviam espalhados por todo o país, o que dificultava o nosso reencontro. Antes daquela festa, não consigo me lembrar a última vez que nos reuníamos daquele jeito. E isso me deixava animada, principalmente com a Tia Malu, ela acabara de ter uma filha. Linda. Mas parecia, ao menos para mim, que estava sempre fazendo xixi ou cocô.

- Ana!! - Chamou a tia Malu - Por favor, vá lá dentro pegar uma fralda, meu amor!!

A essa altura, todos já estavam reunidos confraternizando e comendo do lado de fora da casa. A festa estava a todo vapor. Prontamente adentrei a casa para atender o pedido de minha tia. Até então não havia reparado como tudo naquela casa me parecia grande, as chaves me pareciam enormes. Acho que proporcional ao tamanho das portas, enormes portas, e janelas também, todas pintadas de azul. Recordo-me de vez ou outra abrir uma das janelas, a que dava de frente para uma capela, e ficar a tarde toda sentada na beirada da janela, de tão grandes que elas eram.

Outra coisa que me parecia grande naquele momento, era o silêncio que fazia dentro de casa, apesar de todo o barulho que se estava fazendo do lado de fora. No momento que notei o silêncio que fazia, pensei: as paredes devem ser largas e grandes aqui, por isso não faz barulho algum. E prossegui até o quarto que meu pai reservara para guardar os pertences dos convidados. 

 Assim que abri a porta, o quarto estava escuro, com a janela fechada, percebi que havia alguém dormindo sobre a cama, um senhor muito velhinho. Talvez algum parente distante que eu não reconheci no momento. Em respeito ao sono desse senhorzinho, tive o máximo de cautela que pude para não fazer barulho algum que o acordasse. Peguei a fralda na mochila de minha tia e ao sair do quarto, sorrateiramente, envolta aquele silêncio ensurdecedor, me assustei.


- Tia!!! - dei um grito abafado!



- Que demora, achei que não tivesse encontrado. Aproveitar que tô aqui e vou pegar o sabonete e a toalha pra dá um banhozinho nela.



-  Certo. Sem fazer barulho, tia, tem um senhor dormindo aí.


Então, ao entrar no quarto, Tia Malu percebeu algo:


- Ana, não tem ninguém aqui.



- Não é possível....


     Até hoje ninguém nunca conseguiu me explicar o que aconteceu naquele dia, mas a verdade é que eu nunca mais gostei do silêncio, tampouco tive coragem de entrar naquele quarto novamente sozinha.


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Sobre punhetinhas e conversas com Claudete





Vomitado pelo meu eu-lírico e por Claudete


- Mas é assim mesmo, cara - falou a amiga que também é de câncer, e dá certo valor a astrologia - Nós temos dessas coisas, os sentimentos são mais aflorados em nós. Por isso, relações casuais não nos fazem muito sentido.

Começaram falando sobre coisas sem sentido, por exemplo:

-  Se a pessoa te chama no zap pra te falar sobre a lua, ela ta afim de você?
- Não apenasmente significa que ela tá afim de você, como evidencia o fato dela, na verdade, tá querendo ter filhos contigo.
- Eita, será!?
- Sim, tá bíblia, olha lá!

E assim a conversa continuou. Com assuntos diversos, uns importantes, outros mais ainda. Como o assunto do primeiro parágrafo. Quando eles estavam falando como, para eles, rolar um sentimento é mais importante do que o sexo por sexo.
Mas não que eles recriminassem quem o fazia, inclusive, admitiram, ambos, que já o fizeram, mesmo após a decepção de “nenhuma vez foi legal pra mim”, mas mesmo assim continuavam a fazer, de quando em quando.E todas as promessas que fizeram a si mesmo de que não fariam de novo, tornaram-se vãs.

- Teve uma vez, Claudete, que fui ficar com alguém, fui à casa dela.

[PAUSE]

O truque é nunca trazer pra sua casa, pois se, por qualquer motivo o sentimento não rolar e a vontade não vir, simplesmente dá-se uma desculpa e vai embora. Isso é melhor, segundo ele, do que mandar a pessoa ir embora de sua casa.

[PLAY]

- Sei...
- Só que eu não sei o que danado acontecia, ela beijava de uma forma muito estranha, ruim. E olha que, modestamente, sou mestre em fazer meu beijo encaixar. Mas… cara, não dava. Aí juntou o fato do beijo ser ruim, com o sentimento não ter rolado. Não teve outra, dei xau, chamei o uber e fui embora.
- Caraca, que situação constrangedora, coitada.
- Mas veja bem,  quando chegamos numa certa idade, não tem outra, só fazemos aquilo que estamos com vontade. Então, não tem quem me faça fazer algo que eu não quero. E outra: o clima não tava legal, corria até o risco de broxar, ou no máximo uma meia bomba, aí já viu!
- Por isso é importante ter um parceiro fixo - afirmou a amiga - Porque não corre o risco da pessoa bater a cabeça uma na outra, ou os dentes durante o beijo e ficar com raiva, simplesmente se sorri e a brincadeira continua.


[PAUSE]

Vale dizer que Claudete é uma pessoa bem antagônica. Clara das ideias e contrária das atitudes.
A pessoa de quem ela pedia opinião a respeito, era alguém que ela ficava (ou fica - não dá pra saber. Lembra que ela é contrária das atitudes!?)

- Um relacionamento saudável - afirmou a amiga- é aquele no qual um sai pra curtir uma noite sem o outro, e tudo bem, isso não afeta a relação.
- Concordo plenamente.

Mas por ser antagônica, ela ficou com raiva do chrush, a ponto de não o “querer” mais, justamente, pois:

-  Ai sexta-feira eu o chamei pra sair, fazer alguma coisa e tal. Mas ele não quis, disse que tava muito cansado. Ainda disse que se eu quisesse ir à casa dele, que eu poderia, mas que provavelmente ele dormiria  - enfurecidamente, falou a amiga.

- Mas, cara, poha, o que que tem? Cadê o “tudo bem, sair sem o companheiro e isso não afetar a relação” Pelo o amor de Anúbis, isso não é motivo pra não o querer mais, por favor.

Ou vocês acham que isso é motivo plausível?

[PLAY]

Voltando a história anterior…

-Tudo bem, concordo. Afinal eu sou desses que necessito de sentimento. Mas me diz uma coisa, vocês, mulheres, num ficam tipo: “Caralho, véi, o mesmo caralho de novo… putz!”?

- Puta, ficamos sim, é foda - respondeu na lata, a Claudete.

-Mas e ai? qual a solução? Acabar? Pular a cerca? Porque, falando por mim, acho uma ideia mó errada terminar uma relação por querer experimentar uma nova pessoa. Ou fazer algo escondido, e também por a perder a relação, e ainda correr o risco de rolar sentimento com a outra pessoa, e ai fuder ainda mais.

 - É tipo isso: ficar entre a cruz e a espada. Acho que não há expressão melhor para simbolizar. O ideal mesmo seria poder ficar com outras pessoas numa boa. Ter uma conversa franca com @ parceir@, a fim de aceitar esse tipo de solução. Ai não seria uma pulada de cerca, não concorda?

- Só que fode, pois é muito difícil encontrar quem tope algo assim e também é muito difícil ser alguém descolado o suficiente pra aceitar isso. Pra mim, é inconcebível chegar pra pessoa que to ficando e dizer: “vai lá, amor, chupar uma rola diferente, amanhã a gente pega um cineminha, beijos!” Poha, num dá né!?!?!?

- Kkkkkkkkkk, verdade - gargalhou amiga.

- Infelizmente, fomos condicionados a sermos monogâmicos, maldita igreja católica.

- Cada vez mais concluo que relacionamentos longos não são saudáveis.

- Verdade, Claudete, os relacionamentos e as transas casuais são os cânceres do século. O que me leva a crê que… o negócio é ficar na punhetinha mesmo!!!

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Sentimentos em um momento de pandemia!!


Vomitado por Christian Palmer


Ha tempos não tenho regurgitado por aqui, mesmo estando há tempos querendo fazê-lo.

O estrangeiro, livro de Albert Camus, é um dos meus livros preferidos, isso se não for o preferido. E ele o é por um motivo que talvez seja diferente daquele que o Camus desejaria que fosse ao escrevê-lo.

No livro é retratado um protagonista que consegue ser alheio a tudo. As coisas não lhe afetam como afetariam "pessoas normais", é quase como se ele não se importasse, mas é um erro pensar assim, pois ele sente sim: sente as relações,  os acontecimentos, as idas e vindas. Apenas tudo lhe atinge de um jeito que tudo para ele, por conta de sua visão de mundo, o faz compreender e aceitar que tudo inexoravelmente aconteceria, de uma forma ou de outra. Por isso, ele consegue reagir aos fatos de um forma que se vista superficialmente, pareça ser fria. Assim, ele não chora os acontecidos. Isso acaba fazendo dele um completo estranho no mundo em que vive, um ESTRANGEIRO.

E, diferentemente dele, especialmente de pouco tempo para cá, as coisas têm me afetado de uma forma como nunca antes. É horrível sentir, na verdade. Só quem sente sabe. Sobretudo nesse momento atual em que estamos sendo acometidos por esse vírus apocalíptico, que por si só já seria suficiente para nos dá medo, angústia, sofrimento e nos causar dor.  Mas não bastasse isso, ainda somos bombardeados de seres nefastos que insistem em negar e ainda vem com discurso de "e dai?". E outras tantas que influenciadas por estes, não conseguem entender a gravidade do momento atual e acabam quebrando a corrente do bem que deveria está sendo formada agora, irritante para dizer o mínimo do mínimo. E quando os que quebram a corrente são aqueles que mais temos apreço? é pior ainda. Mais uma vez digo: sentir dói, só quem sente, sabe!

Por isso, "O estrangeiro" é o livro que guardo com mais carinho na minha estante e mente, pois em momentos como o que vivemos, a forma como Mersault, protagonista do livro,  vive a vida dele é muito tentadora.

"Ah! Como eu queria ser o Mersault, porque diabos não consigo sê-lo!?!?"

Contudo o jeito de ser de Mersault trouxe a ele enormes e horríveis consequências. Talvez pelo o mundo não estar preparado para tal, ou porque, de fato, não seja adequado viver assim. Mas a verdade é que Camus, propositalmente ou não, nos mostra que ser Mersault é deveras terrível. Afinal, se ele não chora os acontecidos, ele tampouco sorrir.

Assim, começo o livro me martirizando e desejando ser Mersault, mas ao cabo percebo que não é errado (muito menos certo) ser e agir assim, sentindo as coisas que acontecem ao meu redor (às vezes, intensamente demais). Sentir não é errado, mesmo doendo tanto, de quando em quando.

E, por fim, tenho fé, mas não num deus, muito menos num mito. Fé de que sejamos todos acometidos, neste momento, de uma grande e generalizada onda de consciência social, que saibamos entender que mesmo o mundo sendo um verdadeiro rio de lágrimas, respeitar a vida do outro e a nossa própria é o que devemos fazer. Pois viver, na minha humilde opinião, é a escolha certa a ser tomada.


PS: Se me permitem fazer alusão a um outro livro: Ultimamente, tenho me sentido tal qual o velho pescador Santiago em "o velho e o mar", que para me "provar" tive (tenho) que adentrar no alto mar, para brigar contra um peixe colossal, por dias. Somente eu, meu barco, uma linha e um anzol: para no fim, tendo fisgado o peixe ou não, não saber quem venceu a batalha: eu, o peixe colossal, ou tubarões que cercavam meu pequeno barco.

PS 2: desculpe-me não ser tão bom em analogias quanto um certo mito ai.














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Sim, infelizmente, as nuvens não são de algodão, cara!


Não é algodão, muito menos doce. A vida, sim, é doce!






vomitado por Christian Palmer



Há quanto tempo.  Tudo de boas? Cansaram de meu interstício? Estava com uma ânsia muito forte, tive que vir aqui vomitar, não aguentei. Então, voltei, não sei por quanto tempo, mas tô aqui, qualquer coisa tamo ai.

Nesse meio tempo, muitas coisas mudaram, eu mudei. As pessoas ao meu redor mudaram, o mundo mudou. Acredito que vocês mudaram também, mudaram? Algumas (as mudanças) boas, muito boas, na verdade; outras ruins, ruins pra caramba, horríveis, uma pena!  Entretanto, necessárias, afinal de contas, de mudanças vivemos. Vivemos? De mudanças? Humm!! De que vivemos, afinal? A cada dia que se passa (passou desde a última vez), tenho pensado cada vez mais nisso. De que vivemos? Ilusões? Metas? Amores? Desamores? Sabores e dissabores? De antíteses, talvez, será? De uma miscelânea de um bocadinho de tudo? Ou de uma miscelânea de nada? (mais antíteses)

O nada me apetece, bem mais que o tudo, o nada é vazio (há quem acha isso ruim),porém  no vazio não temos cobranças, porque o vazio é o nada, e não há nada no nada, além do nada (nós). Isso me é libertador, não é para vocês? Mas, enfim, isso não vem ao caso, ou vem, sei lá!

Enfim, voltemos ao assunto - se é que saímos deles, saímos? - O que é viver? Supomos que este post é a vida, o que seria viver para nós? Eu diria que viver seria encontrar a resposta para: “o que é viver?” Então, digamos que a encontremos daqui até o fim desta humilde crônica. Ou seja, vivemos e agora, será que existe vida pós vida? (figurativamente, ta), lembrei de uma música:
“É tão chato chegar a um objetivo num instante”

Lembrei de duas músicas, na verdade:
“um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão”

De qualquer forma, acho muito mesquinho determinar o que é viver com um simples conceito, e, de repente, qualquer conceito é simples demais para definir o que é viver. Veja bem, viver e não vida. Então, precisamos, portanto, de mais de um conceito. Se lutar para alcançar objetivos não é capaz de sustentar em si o viver de alguém. O que mais, aliado a isso, poderia? Amar, talvez. Amor, galera, ta? Amor e não paixão. Se bem que paixão também é um bom por que para se viver.

Eu sei, eu sei! Vocês querem que eu explique a diferença. Bem, eu gosto de pensar que paixão, estar apaixonado é tal como uma tempestade, um furacão de categoria 5 (categoria máxima): intenso, forte, destruidor, sufocante. E amor é o que sobra depois que o furacão vai embora, não adianta pressa, vai demorar de qualquer jeito para se recuperar e se readaptar. Amor é a calmaria depois da tempestade, a paciência para se readaptar, pós furacão. Amor é marasmo (mas não precisa, necessariamente, sê-lo para sempre), e,se você está disposto a viver nesse marasmo, então é amor. Contudo, e se o amor acabar? (sim, amor acaba), e se a paixão não vier? (ela pode não chegar) Então não viveremos? 

Perguntas e mais perguntas, hein!!! Complicado!

Isso me faz pensar novamente no vazio. Explico. Tudo isso é conceito, conceito sobre algo. E conceito é hoje, mas não é amanha, é meu, mas não é seu (mas se for cientificamente provado? Ok, e se cientificamente amanha provarem que não é assim?). Penso que o que é, é hoje, amanhã e sempre. Conceito não é, a coisa em si é.

Amanhã, viver vai ser viver (conceituado ou não), pois viver é perene, conceitos a respeito não. Então, de repente, viver seja de fato uma miscelânea de tudo, entretanto, vejam bem, tudo é um conceito e conceito é nada, certo? Então, será que podemos dizer que viver é nada, é vazio!?!?!. Eu gosto da ideia, porque vazio é liberdade. Eu sou um nada, vivendo um absolutamente nada, legal, né? Eu acho!!!

Vendo por esse lado, liberdade assusta um pouco, né? Mas creio que é só uma questão de (re)adaptação, e (re)adaptação é amor, lembra? E o legal de amar a vida é que ora ela é marasmo, ora é tempestade e não precisamos nem forçar pra que seja assim: uma mudança constante, temos apenas que deixar rolar. Tá ai, viver, talvez, seja deixar rolar, ou não, sei lá. Quem sou eu para determinar isso?

E, para terminar, se é que termina, tem um filme que me mudou muito (olha ai as mudanças de novo), porém faz tempo que assisti a esse filme(e não me canso de reassistí-lo). Em determinado momento o protagonista fala, mais ou menos assim: “Porra, você quer morrer sem ter nenhuma cicatriz?” O filme em si mexeu muito comigo, mas especialmente essa frase. Passei dias pensando a respeito, na verdade, eu ainda penso e muuuuito nessa frase, e volta e meia me pego reflexivo: “Pô, será que hoje eu tenho cicatrizes suficientes para morrer em paz? Será que eu tenho cicatrizes?” E vocês? Têm cicatrizes? Suficientes? Se você morresse hoje, acharia que fez ou não o suficiente?

Seja o nada e tenha cicatrizes, garotinhos e garotinhas!! =D

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Teen: perdendo a virgindade.








descabaçado por Christian Palmer


A hora certa, o lugar certo, o momento certo, a coisa certa. Para quê? Para a primeira vez, para  ser perder a virgindade, ora bolas. Tirar o cabaço de nunca ter pulado de paraquedas, de ter pego uma onda, de cair andando de patins, primeira vez num rapel, desvirginar-se de (re)escrever no blog, de trepar também (por que não?)... primeira vez de repetidas vezes, repetidas vezes de tudo, menos de ir num rapel, ou coisas que remetam altura, ergh! 


Mas por que mesmo que tem que ser CERTO o momento, o lugar, a hora? Deixar rolar, diria, e se tiver que ser no momento, na hora, ou a coisa ERRADA, que seja, é só deixar rolar. Afinal, se pararmos para pensar um pouco: será que há mesmo um momento certo para se levar um tombo andando de patins? Ou para se pegar uma onda? Creio que não, basta ter onda, ou estar andando de patins. Ai fio, hummm, a hora é a hora, sem certo ou errado.


Pois, sobretudo, quando o tempo passa o que fica não é se foi o momento, ou hora,  ou coisa era certa ou errada; o que fica é: ter deixado ou não de sonhar com a onda e ter ido surfá-la, ou não; ou ter deixado ou não medo e/ou vergonha de levar um tombo andando de patins, privar de sentir a brisa tocar seu rosto enquanto se patina. Por fim, se reprimir ou se permitir? Eis a questão!

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Ser sem ser





Espirrado por Christian Palmer

Ser, na contemporaneidade, é algo bem difícil. Não acham? Eu provo.  Por exemplo, estes dias em uma conversa, eu disse que queria ser de Krishna. 

- Por quê? 
- Ah, sei lá, eu não sou nada e se for para ser, que seja de Krishna, porque pelo menos tem aquela música legal que Nando Reis gravou.
- Ah, bacana.

No entanto, uma amiga me convenceu do contrário, ela me explicou que os Krishna  acreditam em “casta”, tipo naquele livro "Admirável Mundo Novo" onde as pessoas nasciam destinadas a desenvolver um papel específico na sociedade, por exemplo, um agricultor era "moldado" a ser um agricultor desde a sua gestação, ai quando nascia era só fazia aquilo e só aquilo. Só que para os Krishna, um agricultor pobre, era agricultor pobre por vontade e decisão de Krishna e que Krishna o considerava menos que um empresário rico, por exemplo. Daí eu não quis mais de ser de Krishna, pois achei, digamos assim, feia essa ideia. 

Ai pensei, talvez eu devesse ser budista, mas a ideia de largar todos os meus bens materiais e imateriais para viver num mosteiro, também não me agrada muito.  - Já sei, vou ser cristão católico. Não pera, mas eu fiquei sabendo da existência de um Papa mulher, em sei lá quantos mil anos de existência, sem falar nos incontáveis casos de Padres abusando de criancinhas - Machista e pedófilo, não cultuo com essas coisas. 

- Que tal ser Cristão evangélico. Mas ai, também nunca soube de nenhuma mulher protagonizar um cargo "superior", machista também. Sem falar que pedir permissão a um pastor para fazer algo, também não me agrada nem um pouco. – Pastor, posso namorar aquela menina? Posso transar com ela? - É, não rola, deixa quieto.

Que tal ser Satanista? Não, não, muito complicado, matar galinha preta - não tenho coragem - fazer pentagramas - não sei desenhar - ter que assistir desenhos/animes/filmes com mensagens subliminares - isso até que é legal - mas daí vou ficar em falta com as outras duas e se for pra ser pela a metade, melhor não ser, porque ser hipócrita também não é legal.

Quem sabe ser niilista, acreditar que nada exista, que tudo não passa de conceitos, e conceitos só existem na consciência de quem os conhece, ou seja, no metafísico, e o metafísico é o deus dos conceitos e, assim como eles, também não  existe. - É, posso viver assim. Perai, se eu sou niilista eu não posso acreditar no niilismo, pois o niilismo é um conceito, logo, não existe. Difícil.

Então, o que eu vou ser? Acho melhor não ser. Isso mesmo. Vou ser ateu. Não há regras para sê-lo, eu não preciso seguir os preceitos de um livro escrito a não sei quantos anos, não preciso vestir terno e paletó para praticar boas ações, não vão precisar ameaçar queimar meu corpinho em um mármore em chamas para eu ter empatia para com os outros. Eu, inclusive, vou poder achar bonitinho o conceito panteísta, por exemplo, e mesmo assim vou continuar sendo ateu. Peraí, não posso ser ateu, pois ateu não tem coração - dizem -  " Amor é de Deus. Então, se você é ateu, como você ama?" "vish, ele é ateu. tsc! tsc!".

Desisto, definitivamente. Como dizia o poeta: "Ser ou não ser? Eis a questão". Eis a questão mesmo.




 

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Sorriam, vocês estão revoltados!










postado por Christian Palmer



Então galera, o Brasil tá vivendo um momento lindo de manifestações e revoltas –com sorrisos nos rostos -, todos dizem que o gigante acordou – ainda bem que não topei com ele, não saberia como reagir a tal encontro, afinal, não aprendi na escola, nem na Universidade, o que fazer diante de tal acontecimento, talvez porque o governo não tenha investido na educação como deveria, enfim.

Vim aqui para lhes mostrar que num lugar Melamediano, que fica logo ali, pertinho da gente, estar acontecendo algo muito legal, leiam:


De forma assertiva o novo governo decretou que a areia vale dinheiro, isto é, cada grão corresponde a um real. As notas de cinco serão substituídas por gotas d’água. As de dez por chamas (fósforo, isqueiro, etc.) e as de vinte por espirros. As de cinqüenta, uma tossida, e, finalmente, as de cem rais serão trocadas pelo ar.

Em outras palavras, estar na lama corresponde a seis reais. Uma gripe a plenos pulmões, cento e sessenta; e, finalmente, ninguém mais perderá tudo num incêndio: magnatas desfilarão com seus lança-chamas.

Um único inconveniente são as casas de câmbio que, não sabendo como se posicionar, têm gerado sucessivas confusões. Afinal, quantos dólares vale um grão? Quantos marcos cabem em uma gota? Quanto oxigênio em libras esterlinas?!

Problema deles. Para nós, esta é a vida que pedimos a Deus. Mais uma vez reitero meus parabéns às autoridades, que com sua sensibilidade estão fazendo do mundo um bom lugar para se viver.


E digo mais: não se preocupem com o capital internacional. Nunca souberam quanto vale um beijo, que a dignidade não tem preço, que dirá o valor de um homem.”



PS: Uma musiquinha para revoltar, ou sorrir, nem sei mais diferenciar. Também não sei se essa é a música certa, enfim...






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Só os loucos sabem






por Christian Palmer


Assisti um filme que conta a louca amizade entre dois caras. Um é terrivelmente apaixonado por mulheres, tanto que ele acredita ter algum tipo de doença, ou coisa do tipo; e ama fazer coisas impulsivas. O outro é escritor e se interessa por pessoas loucas pela vida, loucas por viver, pessoas que não se permitem o tédio, como é o caso do nosso amigo "louco por mulheres". Assim, eles desenvolvem um paixão um pelo outro, uma amizade intensa, extrema e lindamente peculiar.

As loucas jornadas regadas a muitas surpresas, mulheres, bebidas e outras coisitas mais, marcam bem a amizade deles. Mas nosso amigo louco tem um grave defeito, ou uma grave virtude, não sei ao certo, ele é maluco o suficiente para abandonar, largar o que quer que esteja fazendo, ou quem quer que seja e partir rumo a mais uma loucura, não que ele não ame o que "abandonou", mas o desejo que tem pelo que vai encontrar, ou pelo que vai acontecer lhe muito tentador. Não sei se é a fidelidade que tem ao seu impulso,  ou se é o desejo pelo que vai acontecer, que o faz sentir-se vivo, só sei que o que ele quer é sentir-se vivo, ele quer a vida.

Enfim, possa ser que, sentir-se vivo é ser louco o suficiente para agir impulsivamente. Penso que, talvez, seja isso a vida. Viver loucamente, como fogos de artifícios que explodem do nada, descontrolados em um céu, ou rua qualquer. Ou, quem sabe, a vida seja o livro, ou poema, ou a crônica, ou o soneto, ou a música que escrevemos para nós mesmos, e para os outros também,  a fim de não nos esquecermos que a vida seja isso. Ou não, quem sabe?

Talvez, a vida não seja nada, ou será que ela é tudo? Ou, talvez, ela seja doce? 
Sim, definitivamente, A VIDA É DOCE.



PS: Ganha um bolo quem acertar o nome do filme. =)

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Sopa de Carne da Vovó





por Christian Palmer



O nosso prato predileto é o amor
é a sopa de carne da vovó
é ter que tomar a sopa de carne da vovó todos os dias
isso é o amor.

Sem pesar, 
mesmo sabendo que tem inhame e carne do sol.
sabendo que inhame com carne de sol é muito bom
bom mesmo, mas não tão bom quanto o seu prato predileto.

Saborear a sopa de carne da vovó todos os dias sem enjoar
isso é o amor.
Afinal, quem enjoa de seu prato predileto?
quem enjoa do amor?



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Pain





por Christian Palmer


É como se você quisesse chorar,
mas não tivesse lágrimas para derramar.
Ou como se você quisesse parar de chorar,
mas as lágrimas insistissem em transbordar.

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Lira - Memória


Não adianta, Lirinha. Minha condição é muito especial, não tem cura. Por isso eu tenho tantas tatoo pelo corpo, é pra me lembrar das coisas mais importantes, já que minha memória dura no máximo 10 minutos e depois esqueço de tudo... A propósito, eu tava falando sobre o que mesmo? 






Lembra?
Era festa da colheita
Lembra?
Uns soldados que dançavam
Sei do circuito cerebral da recordação
A construção do que passou no lobo frontal
Mas eu voltei pra replantar a tua memória

Como uma flecha nas mãos de Bolt
De um lado a vida do outro a vida

Eu sei que eterna é tua firmeza
Na direção que sobe a montanha

Lembra bem da noite de onde saímos
Nunca apagarei tuas palavras da memória Iaiá
Quem mais que você pode esquecer
quem sou?

Quem me oferece um outro mundo?
Quem entrará no seu lugar?

A tua mão que plantou meu tempo
pelo escuro e pela névoa bruta

Dentro
dos arquivos do passado
Capacidade de lembrar em outro tempo
do vento futuro que passou na flor do tempo
Vai alteração química vou no contratempo
da tua memória

Como uma flecha nas mãos de Bolt
Como uma folha nos pés de Padaratz

Eu sei que eterna é tua firmeza
De um lado a vida do outro a vida

A crença hindu num deus que dança
A crença grega que tudo volta

A minha história é canção de bêbados
Feito uma árvore que come pássaros

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Asas


Até a Mona Lisa apodrece

por Christian Palmer


Ter asas para poder voar acima dos abismos que, volta meia, surgem em nossa frente. Ter asas para poder olhar acima das paredes e ver o que nos aguarda do lado de lá. Ter asas para poder voar até o futuro e saber quais cicatrizes aparecerão, saber quais valerão ter,  saber quais não valerão. Ter asas para poder evitar as topadas. Ter asas para não afundar em meio ao lamaçal de incertezas e poder ver lá do alto qual melhor caminho seguir. Ter asas para ser livre, livre de verdade, sem limitações. Ter asas para deixar de ser humano. Ter asas para fugir. Ter asas para escapar voando do fim e, assim, não deixá-lo acontecer. Ter asas para ser perfeito. Mesmo sabendo que o perfeito também apodrece, mas, mesmo assim, ter asas - é o que quero(queremos).



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Peanuts















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